Baixo Guadiana | Património Natural  
       
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Património Natural

O Baixo Guadiana congrega uma infindável montra de riquezas naturais que deleitam os olhos dos seus visitantes, oferecendo uma diversidade de paisagens.

Esta região, pela extensão que apresenta do litoral para o interior, abrange três grandes unidades de paisagem: a serra, o barrocal e o litoral, tendo cada uma delas as suas especificidades em termos de fauna e flora.


Áreas Protegidas do Baixo Guadiana

A zona litoral do Baixo Guadiana abrange duas zonas húmidas bastante relevantes a nível nacional: a extremidade leste da Ria Formosa e o estuário do Guadiana. Ambas são áreas protegidas, tendo diversos estatutos de conservação. No primeiro caso temos um Parque Natural, mais concretamente o seu extremo oriental, e no segundo caso temos uma Reserva Natural.



Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de S. António

A Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António foi criada a 27 de Março de 1975 (Dec. n.º 162/75), devido ao elevado interesse biológico da área considerada.
É a nível ornitológico que esta área protegida se destaca, tendo-lhe sido já atribuídos diversos estatutos de protecção internacionais em virtude da importância dos seus valores naturais:
- é Zona de Protecção Especial (Directiva Aves; Dec. Lei nº 384-B/99, de 23 de Setembro);
- está na Lista Nacional de Sítios (Directiva Habitats; Resolução de Conselho de Ministros nº 142/97, de 28 de Agosto);
- é Zona Húmida de Importância Internacional desde 1996 (Convenção sobre Zonas Húmidas; Ramsar 1971).

Constituem objectivos de gestão da Reserva manter e potenciar os habitats naturais e seminaturais bem como a flora e fauna que lhes está associada; promover o uso sustentável dos recursos naturais incrementando as actividades económicas compatíveis; e promover o conhecimento e sensibilização para o valor do sítio através de medidas de divulgação e interpretação do património natural e cultural.



Caracterização da Reserva Natural

A Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António localiza-se no Sotavento Algarvio, perto da foz do Rio Guadiana, abrangendo uma área aproximada de 2.000 hectares, maioritariamente ocupada pelas zonas húmidas de sapais, salinas e esteiros, que formam uma vasta planície da qual emergem algumas colinas de uso agrícola e florestal.

A zona húmida representa cerca de 66% da área total da Reserva e abriga um elevado número de espécies florísticas e faunísticas.

Constitui um habitat fundamental para milhares de aves aquáticas que aqui encontram boas condições de nidificação e invernada, destacando se ainda como local de abrigo e reprodução para numerosas espécies de peixes, moluscos e crustáceos.

A área agrícola ocupa cerca de 32% da superfície total da Reserva e as áreas florestais e de matos menos de 2%. Predominam aqui espécies da antiga floresta mediterrânica como o sobreiro (Quercus suber) e, nas zonas agrícolas, os alfarrobais. A avifauna está representada pelas aves terrestres, encontrando-se diversos passeriformes e rapinas.

O Sapal
A maior parte da área da Reserva Natural faz parte do estuário do Rio Guadiana, estando por isso sob influência do regime de marés e sujeita a oscilações muito amplas de salinidade e encharcamento.
Os sapais, graças à sua enorme produtividade, são das zonas mais ricas em biodiversidade do planeta. São acumuladores de nutrientes arrastados pela água do rio e funcionam como filtro para muitas substâncias que aqui chegam e são absorvidas e transformadas pelas plantas do sapal. Os seus solos lodosos são o habitat de muitos invertebrados, moluscos e crustáceos, que por sua vez servem de alimento às aves limícolas que aqui ocorrem. Também os anfíbios encontram nestas zonas alagadiças as condições necessárias à sua sobrevivência.

As Salinas
As salinas de Castro Marim, talhadas sobre terrenos de sapal, remontam ao séc. VIII a.C., época em que é introduzida na região a técnica da salga de peixe para conserva. Actualmente assumem importância a nível nacional pela qualidade do sal produzido e como habitat de diversas espécies faunísticas, realçando-se os invertebrados, como a Artemia franciscana e as aves aquáticas que o utilizam não só como local de alimentação e repouso, mas também como local de nidificação.
O progressivo desaparecimento, ou a excessiva perturbação das áreas naturais, levou as aves a utilizarem estes habitats artificiais como alternativa, sendo um bom exemplo de compatibilização das actividades económicas com a natureza.

Flora e vegetação
No sapal e nos muros das salinas cresce uma vegetação arbustiva perfeitamente adaptada ao elevado teor salino do solo. A morraça (Spartina maritima), que suporta longos períodos de submersão, instala-se junto ao rio e aos esteiros, onde forma vastos "prados" de cor verde escura. À medida que se caminha para zonas que sofrem cada vez menos a influência das marés, vão surgindo progressivamente outras espécies típicas de sapal, como Sarcocornia perennis, Arthrocnemum macrostachyum, Halimione portulacoides, valverde-dos-sapais (Suaeda vera) e erva-de-orvalho (Mesembryanthemum nodiflorum), que adquire um tom avermelhado nos princípios da época seca.
A Reserva Natural abriga também algumas espécies raras, como o Halopeplis amplexicaulis, que em Portugal só ocorre nesta Área Protegida.

A Reserva Natural inclui ainda, cabeços florestados com montado de sobro e povoamentos mistos de sobreiro (Quercus suber) e pinheiro bravo (Pinus pinaster) ou pinheiro manso (Pinus pinea).

Fauna
A avifauna é sem dúvida o grupo de maior relevância nesta área protegida. A zona húmida alberga uma comunidade de aves aquáticas de reconhecida importância internacional, muitas delas de estatuto raro ou vulnerável.
As limícolas são o grupo mais abundante no Inverno e nas migrações pré e pós-nupciais, mas espécies como a Cegonha-branca (Ciconia ciconia), o Flamingo (Phoenicopterus ruber) e o Colhereiro (Platalea leucorodia) destacam-se pela sua abundância e presença ao longo de todo o ano, apesar de as duas últimas não nidificarem na Reserva Natural.
As salinas são um importante habitat para as populações de aves que nelas se reproduzem, das quais se destaca o Perna-longa (Himantopus himantopus), o Alfaiate (Recurvirostra avosetta) e a Andorinha-do-mar-anã (Sterna albifrons).

Alfaiate  Foto de Agostinho Gomes

As aves terrestres estão representadas por espécies como a Calhandrinha-das-marismas (Calandrella rufescens), sendo esta população única no país, ou o Sisão (Tetrax tetrax), com um expressivo número de indivíduos invernantes.

Perna Longa  Foto de Agostinho Gomes

A ictiofauna marinha utiliza a área estuarina como local de desova e crescimento dos juvenis, reproduzindo-se aqui espécies economicamente importantes como a Dourada (Sparus aurata), o Sargo (Diplodus sargus) e o Robalo (Dicentrarchus labrax).
A Lontra (Lutra lutra) é o mamífero mais significativo que ocorre na Reserva Natural.

Principais actividades humanas; o passado e o presente

Salicultura
As salinas ocupam 583 hectares da área da reserva, coexistindo a exploração artesanal, de pequenos talhos onde o sal é recolhido manualmente, com a exploração industrial, de grandes dimensões, onde o braço do homem foi substituído pelas máquinas. Ambas constituem habitats fundamentais para as aves aquáticas, sendo utilizadas como local de repouso, alimentação e nidificação.
Nos anos 70 iniciou-se a crise no sector salineiro em Portugal, o que se traduziu no abandono de muitas unidades ou na sua reconversão para a aquacultura. Em Castro Marim a salicultura artesanal encontra-se, desde essa data, num processo crescente de abandono.

Salinas  Foto de Carlos Afonso

Com o objectivo de revitalizar esta actividade, a Reserva Natural desenvolveu um processo de certificação do sal marinho tradicional, assente na sua elevada qualidade.

Agricultura
As zonas agrícolas ocupam 668 hectares da área da Reserva Natural.
A escassez de água acentua a predominância das culturas de sequeiro. Plantações de oliveiras, amendoeiras, alfarrobeiras e figueiras predominam nas encostas mais secas. Nos terrenos com maior abundância de água encontram-se pomares de laranjeiras, pessegueiros e outras árvores de fruto.
O trigo, a cevada e a aveia são os cereais mais cultivados. Outrora o cultivo de cereais foi muito mais extenso, tendo-se chegado a drenar vastas áreas de sapal para instalar as sementeiras. Testemunho desses tempos são os moinhos de vento e os moinhos de maré, hoje ruínas que marcam a paisagem.

Informação cedida pela Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António



Informações Úteis:

Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António
Sapal de Venta Moinhos, Apartado 7, 8950 Castro Marim
Tel: 281 510 680
Fax: 281 531 257
e-mail: rnscm@icn.pt




Parque Natural da Ria Formosa

O Parque Natural da Ria Formosa estende-se ao longo de 60 km de costa, coincidindo com um sistema lagunar formado a partir de sedimentos trazidos pelo mar e pelas linhas de água da bacia hidrográfica vertente. Apenas o seu extremo oriental faz parte da região do Baixo Guadiana.

Vista aérea da Ria Formosa – Cacela Velha   Foto de Lúcio Alves

O Parque Natural da Ria Formosa, classificado como zona protegida, ocupa uma área de 18.400 ha, distribuídos por 3 zonas principais: uma estreita faixa terrestre, um cordão dunar litoral e uma vasta zona central de sapais e canais.

Barco de pesca e Fortaleza, Ria Formosa – Cacela Velha

Do ponto de vista da avifauna a Ria Formosa assume uma importância decisiva, atendendo que representa uma zona de descanso para as aves migradoras, local de invernada para um número considerável de aves aquáticas, habitat de espécies únicas ou raras no nosso país. Alberga aves migradoras oriundas do centro e norte da Europa e é local de nidificação para muitas outras. A laguna também abriga e alimenta organismos aquáticos, nomeadamente peixes sedentários e migradores, e é habitat privilegiado de moluscos e crustáceos.

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Praias do Baixo Guadiana

A faixa costeira do Baixo Guadiana, banhada pelo Oceano Atlântico, tem cerca de 15 km de extensão de belas praias, onde poderá desfrutar de águas cálidas e límpidas. Entre o estuário do Guadiana e o início da Ria Formosa, são 12 km de praia contínua, o que faz desta uma das mais extensas da Europa.

Praia Santo António  Foto da Câmara de Vila Real de Santo António

Aproveitando a sua localização, que a protege das correntes do oceano, esta zona tem as águas mais quentes de Portugal. Na realidade, a delgada faixa litoral e os vales abrigados das linhas de água, devido ao seu enquadramento geográfico, estão sob a influência de microclimas singulares.

Praia Fluvial de Alcoutim

As dunas e os frondosos pinheiros emolduram os finos areais e o mar a perder de vista. O cordão de dunas que separa a zona de praia do pinhal constitui um ecossistema que apresenta uma grande diversidade de flora e de fauna.

Praia de Monte Gordo  Foto de Lúcio Alves

Praias do Baixo Guadiana:
Praia de Santo António
Praia de Monte Gordo
Praia do Cabeço / Retur
Praia Verde
Praia de Alagoa/Altura
Praia da Manta Rota
Praia Fluvial de Alcoutim

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Matas do Baixo Guadiana

As duas matas existentes no Baixo Guadiana distinguem-se quer pela sua localização quer pelas suas características, apresentando uma variedade de flora e fauna, constituindo o habitat perfeito para inúmeras espécies animais e vegetais.
Pela sua beleza e tranquilidade, estes espaços proporcionam ao seu visitante um ambiente bastante agradável para a prática de desporto ao ar livre.

Mata Nacional Terras da Ordem (Castro Marim)

Mata Nacional das Dunas Litorais de Vila Real de Sto. António



Mata Nacional Terras da Ordem (Castro Marim)

A Mata Nacional das Terras da Ordem situa-se no Nordeste do Concelho de Castro Marim, na freguesia de Odeleite.

Mata Nacional Terras da Ordem

O nome desta área florestal, com cerca de 1.366 ha, indicia um passado religioso associado à Ordem de Cristo, altura em que pertencia à Comenda da Alcaidaria Mór de Castro Marim.
Os terrenos acabariam por ser adquiridos pelo Estado nos anos 60 e sofrer o primeiro projecto de florestação, com vista a recuperar a fertilidade dos seus solos e respectivas reservas hídricas.
Com a revolução de Abril de 1974 interrompem-se os trabalhos de gestão deste espaço, assistindo-se a uma nova intervenção a partir de 1982, que visam não só o ordenamento cinegético como o coberto arbóreo.

Actualmente, o pinheiro-manso constitui a espécie predominante nesta Mata, sendo no entanto possível encontrar novos povoamentos com sobreiro, pinheiro-do-alepo, cipreste, azinheira e outras folhosas, especialmente junto às linhas de água, que contribuem para a diversificação e valorização de toda a zona florestal. Relativamente à flora arbustiva, é tipicamente mediterrânica, marcada pela existência de rosmaninho (Lavandula viridis), tojo (Genista hirsuta), medronheiro (Arbutus unedo), esteva (Cistus ladanifer L.).), sargaço (Cistus monspeliensis) e alecrim (Rosmarinus officinalis).
A fauna silvestre é caracterizada pela presença de uma enorme variedade de aves, alguns mamíferos e répteis bem conhecidos. Do ponto de vista da avifauna, predominam a felosa-do-mato (Sylvia undata), o chapim-de-crista (Parus cristatus), o pica-pau-grande-malhado (Dendrocops major), a pega-azul (Cyanopica cyana), o melro-preto (Monticola solitarius), o abelharuco (Merops apiaster), a cotovia -do-monte (Galerida theklae) e a perdiz-comum (Alectoris rufa).
Neste biótopo vivem mamíferos como o coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus), a lebre (Lepus Capensis), a raposa ((Vulpes vulpes) e o javali (Sus scrofa). Este último é bem notado pelos muitos vestígios que deixa nas árvores roçadas de lama e nos solos remexidos.
Por outro lado, ocorre uma herpetofauna da qual fazem a cobra-de-escada (Elaphe scalaris), a cobra-rateira (Malpolon monspessulanus), o lagarto-ocelado (Lacerta lepida), a lagartixa-do-mato-ibérica (Psammodromus hispanicus), o sapo-parteiro-ibérico (Alytes cisternasii), o sapo-corredor (Bufo calamita), a salamandra-de-costelas-salientes (Pleurodeles waltl) e a salamandra-de-pintas-amarelas (Salamandra salamandra). Muitos destes anfíbios aproveitam os charcos temporários, que se formam no seio deste ecossistema após as grandes chuvadas, para acasalarem.

Junto aos cursos de água encontramos fauna e flora peculiares destas zonas húmidas. Em termos de fauna temos a lontra (Lutra lutra) e uma variada avifauna aquática, como a garça-cinzenta (Ardea cinerea), o pato-real (Anas platyrhynchos), a galinha-de-água (Gallinula chloropus), o guarda-rios (Alcedoatthis), entre muitas outras. Ao nível da flora destaca-se a cana-comum (Arundo dunax), responsável pela presença de densos canaviais, o salgueiro (Salix sp), o chopo (Populus sp.) e manchas contínuas de loendro (Nerium oleander) que, ao contrário das outras plantas, só floresce no final da Primavera, início de Verão.

Ribeira da Foupana

A presença do homem nesta zona ribeirinha é bem notada, pela ocupação das terras férteis da margem da ribeira com pequenas hortas, pomares (sobretudo de sequeiro) e também pelo aproveitamento dos recursos hídricos através de poços e moinhos de água, de que são exemplos o moinho de água das Pernadas, recentemente recuperado, e o moinho de água do Carvão.



Mata Nacional das Dunas Litorais de Vila Real de Sto. António

Localizada junto à foz do Rio Guadiana, estende-se ao longo da faixa dunar entre Vila Real de Santo António e Monte Gordo, numa extensão com cerca de 3 km. Possui uma área de 434 ha, estando ocupada, na sua maior parte por pinheiro-bravo, plantado nos finais do século XIX, com o objectivo de fixar as areias dunares e proteger as zonas urbanas.
A Mata Nacional das Dunas Litorais de Vila Real de Santo António assume um papel importante na protecção desta região, funcionando como meio de fixação do sistema dunar, controlando os ventos marítimos e abrigando a fauna selvagem.

Mata Nacional das Dunas Litorais de VRSA

Da fauna que habita na Mata destaca-se uma importante população de camaleão (Chamaeleo chamaeleon), réptil que tem aqui um dos últimos redutos do seu habitat natural. “A introdução do Camaleão na Península Ibérica ocorreu nos finais do século XIX, fruto das deslocações de pescadores entre o Sul peninsular e o Norte de África, tornando-se então mais abundante junto das comunidades humanas, onde proliferam os insectos.
Mede entre 20 cm a 25 cm e é ovíparo, colocando entre 9 a 30 ovos, enterrados na areia, perto das raízes do Piorno (Lygos). Durante o Inverno hiberna numa toca cavada no solo arenoso junto de uma raiz grossa, de onde sai na Primavera, altura em que eclodem os ovos.
Os camaleões camuflam-se nas ramagens e a sua pele é composta por camadas de diversos pigmentos, permitindo a variação de cor através dos cromatógrafos (células cutâneas) em função da temperatura ambiente, do local onde se encontram e do estado de ânimo.
Apesar de locomoção lenta, é um caçador veloz. A rotação dos olhos de 180 graus (estereoscopismo) facilita-lhe a visualização da presa. Os movimentos independentes dos olhos permitem ter uma dupla perspectiva, que facilita a previsão dos movimentos do insecto. É proibida a sua captura, segundo a Convenção de Berna. ”

Camaleão

Para além do Camaleão, outras espécies de animais vagueiam pelo meio da mata em busca de alimento, de um parceiro para acasalar ou de um sítio para procriar. Entre as aves residentes, destaca-se a Rola-turca (Streptopelia decaocto), o Merlo-Preto (Turtus merula) o Pintassilgo (Carduelis carduelis) e o Chapim-azul (Paruscae ruleus).
O solo arenoso dificulta a fixação da vegetação, sendo o coberto arbóreo constituído, quase exclusivamente, por Pinheiro-bravo e algumas manchas localizadas de Pinheiro-manso. Relativamente à vegetação dunar, na faixa mais próxima à praia, onde as areias são móveis, apenas formas de vegetação muito específicas conseguem medrar: é o caso do cordeiro- da-praia (Otanthus maritimus), da eruca-marítima (Cakile maritima), do cardo-marítimo (Eryngium maritimum), do goivo-da-praia (Malcolmia littorea), do estorno (Ammophila arenaria) e do tomilho-carnudo (Thymus carnosus) - um endemismo nacional. À medida que caminhamos para o interior da mata, a par com alguns dos elementos florísticos referidos anteriormente, surge o Piorno-branco (Lygos monosperma), um arbusto aparentado com as giestas, também presente no Norte de África, e que acaba por formar um povoamento arbustivo mais ou menos denso na zona recuada da duna.

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Fauna Cinegética

No sentido de manter e restaurar o equilíbrio ecológico entre as espécies de fauna silvestre têm vindo a ser criadas inúmeras Reservas de Caça de carácter associativo e turístico, que em muito têm contribuído para a manutenção e controle das várias espécies cinegéticas.

Principais Espécies Cinegéticas do Baixo Guadiana

Entre as várias espécies abrangidas pelo regime de Caça, as quatro com maior expressão no Baixo Guadiana são: o coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus), a lebre (Lepus capensis), a perdiz (Alectoris rufa) e o javali (Sus scrofa).



O Coelho-bravo

Inserido na ordem dos Lagomorfos (herbívoros de pequeno tamanho muito aparentados com os roedores) e na família Leporidae, o coelho-bravo é um animal de corpo “rechonchudo”, com peso de 1 kg a 2 kg, orelhas largas e cauda pequena de cor branca. É uma espécie que prefere as zonas onde o mato é abundante, preferindo os terrenos secos e arenosos, mais fáceis para a construção de covas. A sua alimentação é constituída essencialmente por plantas herbáceas, raízes, caules, grãos e cascas de algumas árvores. São animais de hábitos nocturnos, embora possam ser vistos de dia. Vivem em colónias, em galerias extensas e muito ramificadas. Apesar se reproduzir quase todo ano, existe uma época em que a actividade reprodutora é mais elevada (Março e Abril). O período de gestação é de 28 a 30 dias e cada fêmea tem, em média, duas a quatro ninhadas por ano. Cada ninhada tem geralmente dois a sete láparos, que nascem cegos, surdos e sem pêlos, pesando cerca de 60 g (valor que duplica ao fim de dois dias). O desenvolvimento é muito rápido, estando o aparelho auditivo completamente desenvolvido aos oito dias e abrindo os olhos aos dez dias.



A Lebre

Pertencente à mesma família do coelho, distingue-se facilmente por ser maior (mede entre 50 a 60 cm) e mais pesada (2 kg a 5 kg). Com patas traseiras mais desenvolvidas e melhor dotadas para a carreira, pode alcançar velocidades na ordem dos 60 km/hora, sendo também uma boa trepadora e nadadora. À semelhança do seu parente, é um animal de actividade nocturna, no entanto, os seus hábitos e comportamento social são muito diferentes. Vive solitariamente, fora da época de reprodução num território bem definido e “acama” quer em bosquetes protegidos, quer em terrenos abertos, com vegetação adequada. Normalmente tem uma a três ninhadas por ano.O período de gestação é de 42 a 44 dias e a ninhada é constituída por um ou dois lebrachos (raramente três), que nascem já de olhos abertos e com pêlo, sendo amamentados até às três semanas. A Lebre apresenta uma característica própria e muito curiosa: é capaz de conservar vivo no seu interior o esperma do macho, podendo ficar grávida duas vezes sucessivas, com um só acasalamento.
A população actual no Baixo Guadiana é reduzida, em parte devido à enfermidade do síndroma hemorrágico da Lebre e à elevada taxa de atropelamentos nocturnos que sofre nas estradas (durante a noite atraída pelas luzes dos veículos automóveis a Lebre torna-se um alvo fácil).



A Perdiz

A perdiz é uma ave de corpo “rechonchudo”, com asas curtas e arredondadas, cauda curta, dorso pardo mais ou menos uniforme, sem manchas brancas e de peito acinzentado com estrias negras. Nos flancos apresenta umas bandas avermelhadas e negras e o bico e as patas são vermelhos. Com um ciclo de reprodução longo, englobando os primeiros cinco/seis meses do ano, habitualmente pode pôr entre oito a doze ovos, dos quais, se não houver nenhum ataque por parte de predadores, surgirão os pequenos perdigotos. Quando são pequenos alimentam-se, essencialmente, de pequenos insectos e formigas; quando são mais crescidos começam a comer também sementes e pequenas ervas. Os pequenos perdigotos são conduzidos e protegidos pelos progenitores até à próxima época de acasalamento, altura em que os sobreviventes ao período de caça, procuram acasalar. O ciclo de reprodução da perdiz é descrito pelas gentes do Baixo Guadiana sob a forma de verso: “Janeiro arranjo do parceiro (após o período de caça, os machos procuram acasalar com as fêmeas, seduzindo- as através do seu canto); Fevereiro arranjo do “recoqueiro” (construção do ninho); Março três e quatro (número de ovos existentes no ninho no mês de Março); Abril cheio até covil (fim da postura, o ninho encontra- se cheio de ovos); Maio passarinho em raio (o pequeno perdigoto começa a ganhar forma); Junho do tamanho de punho (já fora do ovo, no final de Junho, os perdigotos têm um tamanho aproximado ao de um punho)”.



O Javali

Pertencente à família Suidae, o Javali ou “javato”, nome pelo qual é conhecido na zona, é a única espécie, para além do porco doméstico, presente em toda a Europa. O aspecto do Javali é semelhante ao do porco doméstico. Apresenta um corpo robusto, revestido por pêlos rígidos pardos escuros, patas fortes e curtas, rabo ligeiramente comprido, mas não sob a forma de rosca, como o seu parente doméstico. Nos machos adultos, sobressaem dois grandes caninos inferiores, designados na zona por “cavilhões”. Quanto ao tamanho, as fêmeas são mais pequenas do que os machos. Um macho adulto pode ultrapassar os 100 kg de peso. A sua capacidade de adaptação permite-lhe habitar nas zonas mais íngremes e agrestes do Baixo Guadiana. Durante o dia refugia-se em áreas de intenso bosque, como silvados e zonas de denso esteval. Tem uma dieta omnívora e incrivelmente variada, pois, ainda que consuma grandes quantidades de raízes e frutos secos, come também insectos, gusanos, roedores, répteis, etc. De costumes nocturnos, mantém-se activo do entardecer ao amanhecer, descansando durante o dia. O macho geralmente leva uma vida solitária, enquanto que a fêmea permanece junto das suas crias formando uma vara, que ocasionalmente pode integrar vários grupos familiares. Machos e fêmeas só se juntam uma vez por ano, durante a época do cio, que tem lugar entre os meses de Novembro e Dezembro. Cada macho pode cobrir várias fêmeas, desencadeando violentas lutas quando outro macho se cruza no caminho. Depois da gestação, que dura quatro meses, a fêmea pare entre duas a seis crias, dependendo da idade e peso da mãe. Os pequenos javalis mamam durante três a quatro meses. Os machos só abandonam o grupo quando as crias têm um ano de idade, chegando a afastar-se 50 km em busca de novas fêmeas para acasalar e dar assim continuidade ao intercâmbio de genes entre populações.

Javali


In “Baixo Guadiana, Caminhos do Património”, Odiana, 2004

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