Rio Guadiana
O rio Guadiana
O rio Guadiana nasce em Espanha, tem uma extensão total de cerca de 810 Km, dos quais 235 km em Portugal, e a sua foz situa-se no Oceano Atlântico, entre Vila Real de Santo António e Ayamonte.
O rio torna-se navegável nos últimos 48 Km, entre o Pomarão e Vila Real de Santo António, onde a sua largura varia entre 100 e 500 m e a sua profundidade média é superior a 5 m.
A bacia hidrográfica deste rio ocupa, em Portugal, uma área de 11.700 km2 e em Espanha 66.960km2.
A fauna piscícola é muito variada, podendo encontrar-se espécies como a saboga, a corvina, a enguia, a eiró, o robalo, o lúcio, o barbo, a lampreia, o esturjão, entre outros.
O Rio Guadiana, fronteira natural entre Portugal e Espanha a Este, recorta a paisagem das duas margens, deixando transparecer uma beleza inconfundível.
Subindo pelo Rio, a paisagem surge como se de um quadro emoldurado se tratasse. As margens salpicadas pela vegetação ribeirinha, enquadradas num horizonte sinuoso, onde as colinas decoradas com estevas, oliveiras e amendoeiras servem de esconderijo às construções de xisto, são o habitat das galinhas de água, guarda-rios, patos reais e outras aves aquáticas.
As ribeiras de Odeleite, Beliche, Foupana, Cadavais e Vascão, todas elas afluentes da margem direita do rio, vão traçando caminho por entre afloramentos de xisto e dão guarida a aves como o estorninho-malhado e a pega azul, que se refugiam nos densos canaviais que crescem nas margens daquelas linhas de água.
O Rio Guadiana oferece grandes condições para a prática de desportos náuticos, para a pesca desportiva ou simplesmente para um passeio de barco tranquilo, que lhe permitirá descobrir os encantos do rio e das suas margens.
In “Baixo Guadiana, Caminhos do Património”, Odiana, 2004
O Minério
Das actividades mais importantes relacionadas com o Guadiana, destaca-se o transporte de minérios, sendo o rio utilizado, desde tempos remotos, como via de acesso aos locais de exploração do minério e de escoamento do produto extraído.
A actividade mineira na região durou séculos, existindo actualmente vestígios em diversos locais. Esta actividade intensificou-se com a Revolução Industrial, tendo registado o seu auge desde meados do século XIX até meados do século XX.
Em meados do século XIX a empresa proprietária das minas de São Domingos (a 18 quilómetros de Mértola) mandou levantar no Pomarão uma povoação que servia de plantaforma à actividade, com armazéns, depósitos de mineral, terminal ferroviário e dois cais de embarque, onde atracavam os navios de transporte de mineral à vela e a vapor que subiam o Guadiana desde a foz (o projecto data de 1859/60). O minério chegava ao porto do Pomarão transportado por uma das primeiras linhas de caminho de ferro construídas em Portugal (1858), com cerca de 17 km de extensão. A exploração intensificou-se havendo notícia que em 1864 apresentaram-se no Pomarão 563 navios para embarcar minérios.
No início, a exploração da empresa Mason & Barry era essencialmente justificada pela extracção de cobre que era enviado para Inglaterra. No século XX, de meados da década de 30 até finais dos anos 50, passou a ser o enxofre das pirites a garantir a viabilidade económica das minas. O enxofre era embarcado em navios da Sociedade Geral para a fábrica da CUF no Barreiro, para fabrico de ácido sulfúrico.
Entretanto, com o aparecimento de fontes alternativas de enxofre, a viabilidade das minas ficou a depender exclusivamente da extracção do cobre, do zinco e chumbo das pirites e , nalguns casos, do ouro e da prata, mas as cotações destes metais, particularmente do cobre, nos mercados mundiais, levaram ao encerramento das minas.
In “Baixo Guadiana, Caminhos do Património”, Odiana, 2004
O Contrabando
A posição geográfica do Baixo Guadiana, aliada às dificuldades económicas de muitas famílias, fez emergir uma economia paralela, baseada nas “trocas comerciais” clandestinas entre Portugal e Espanha. As histórias de contrabando da época do Estado Novo são muitas.
O contrabando mais vulgar era o de subsistência, com o qual o contrabandista apenas queria ganhar algum dinheiro para suprir as necessidades básicas da família.
O contrabando foi uma actividade importante em ambos os lados do Rio, nesta região de agricultura pobre. O café português e o açúcar eram muito apreciados em Espanha de onde, por sua vez, chegava bombazina, calçado, conhaque, miolo de amêndoa e perfumes. Os produtos de contrabando eram, muitas vezes, passados a nado de uma margem para a outra, dentro de oleados – cada homem transportava 30 a 40 kg de carga.
As autoridades portuguesas tentaram opor-se a esta realidade construindo em cada curva do rio um posto da Guarda Fiscal, que permitia assim, a vigilância de qualquer troço do rio.
In “Baixo Guadiana, Caminhos do Património”, Odiana, 2004
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Museu do Rio | ler |
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História
A denominação actual do Rio Guadiana provém da junção do vocábulo árabe para rio (Uádi) com o nome dado ao rio pelos romanos (Ana ou Anas).
O Rio Guadiana foi a via natural de penetração de sucessivos povos da bacia mediterrânica no Sudoeste da Península Ibérica, de que são exemplo os romanos e os árabes.
Já na época da ocupação romana (século II a.C. até ao século V), os recursos mineiros da região eram explorados e escoados pelo Rio Guadiana. Navegável até Mértola na altura, esta localidade, pela intensa actividade comercial que estabeleceu, possuía a sua própria moeda.
O Guadiana passou a inscrever-se nas rotas comerciais mediterrânico-atlânticas. Ouro, prata, cobre, trigo, couro, azeite, mel, sal e pescado foram alguns dos produtos que animaram o tráfego fluvial durante dois milénios.
Após a ocupação cristã do Algarve (século XIII) e da Andaluzia (século XV), o Guadiana consolidou-se como fronteira entre os Reinos de Portugal e Espanha. As praças fronteiriças de Castro Marim, Alcoutim e Mértola, entregues às Ordens religioso-militares de Cristo e de Santiago, asseguraram o povoamento e defesa dos territórios raianos e a segurança da circulação fluvial.
Em troca dos produtos da Serra, os povoados dispersos do Nordeste algarvio recebiam do litoral, através do rio, o peixe, o sal e os frutos.
In “Baixo Guadiana, Caminhos do Património”, Odiana, 2004
A Pesca
A pesca no Rio Guadiana foi, desde sempre, uma actividade artesanal, destinada à subsistência das populações ribeirinhas. A origem desta actividade, cujos conhecimentos são transmitidos de pais para filhos, deve remontar ao Paleolítico, período de que datam os primeiros vestígios de colonização humana junto do rio (Gonçalves et al.,1998).
Nos últimos anos, a importância da pesca no Guadiana tem vindo a diminuir drasticamente devido, sobretudo, à sua reduzida rentabilidade. Tal facto não tem encorajado o recrutamento de novos pescadores nesta região. Em 1999, segundo dados da Direcção Geral das Pescas e Aquicultura, o número de embarcações licenciadas para a pesca no Baixo Guadiana era de 46, estando envolvida na pesca cerca de meia centena de pescadores inscritos na capitania de Vila Real de Santo António. Dos antigos pescadores que usavam as artes tradicionais e de outras pessoas com conhecimentos sobre essas artes de pesca, resta ainda um pequeno número, alguns com idade avançada, espalhados pelas várias localidades que se situam junto ao Guadiana (Mértola, Alcoutim, Guerreiros do Rio, Castro Marim, etc.).
Relativamente às embarcações utilizadas na pesca, existem quatro tipos: o bote, a pateira ou bateira, a chata e a lancha, sendo esta última a mais utilizada.
No estudo “As Artes de Pesca Tradicionais”, realizado pela Universidade do Algarve em 2001, foram identificados e agrupados por ordem de classificação os seguintes instrumentos de pesca: redes de emalhar e de enredar (tresmalhos, redes de emalhar e tapa esteiros), linhas e anzóis (aparelho de anzol, cana de pesca, varestilha e zagaia); armadilhas (nassas, covo, letrache, conto, carneiro e tela); redes de sacada de mão (colher e rapeta); redes de arremesso (tarrafa); pesca por ferimento (fisga); arrasto não especificado (redisca). Artes envolventes – arrastantes (levada); arrasto de fundo (arrasto de varas); dragas manuais (arrasto de cintura); artes não especificadas (arrasto de mão) e pesca à mão.
In “Baixo Guadiana, Caminhos do Património”, Odiana, 2004
Museu do Rio
Para desvendar mais alguns segredos do Guadiana visite o Museu do Rio, situado em Guerreiros do Rio, povoação piscatória junto ao rio, onde poderá conhecer a cultura da população ribeirinha, representada por uma colecção de objectos e devida documentação, expostos no museu.
Museu do Rio, Estrada Municipal nº 507, Guerreiros do Rio, 8970-025 Alcoutim
Tel.: 281 547 380
E-mail: museu.rio@cm-alcoutim.pt
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